Ganhar, gastar, guardar

por Denyse Godoy

 

Dólar alto terá impacto menor sobre alimentos mas pode pressionar alugueis

Os turistas que vão para o exterior nos próximos meses estão preocupados com a elevação do dólar por causa dos gastos que realizarão fora do país.

Mas quem não pensa em viajar tão cedo também será afetado pela forte valorização que a moeda americana registrou neste mês.

Primeiro, nas compras de eletroeletrônicos. Nas pequenas lojas especializadas, como as da rua Santa Ifigênia, no centro da cidade de São Paulo, vários artigos –como HDs externos, calculadoras financeiras, tocadores de MP3, controles de videogames-- encontram-se em falta, porque os importadores estão segurando os produtos a fim de repassá-los nas próximas semanas já com reajuste de preços.

Não deve haver um choque no supermercado, entretanto, segundo os especialistas em inflação.

Os produtos que costumam subir mais nessas situações são aqueles cujas matérias-primas (as chamadas commodities agrícolas), negociadas no mercado internacional, têm cotação em dólar: o pão, o macarrão, a bolacha (ou biscoito, como quiserem Sorriso), feitos de farinha de trigo; a margarina, de óleo de soja; o açúcar.

"Porém, os preços das commodities estão recuando, o que compensa, em parte, a elevação da moeda americana", diz Heron do Carmo, estudioso de preços da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e presidente do Conselho Regional de Economia paulista. "Além disso, para o valor final de determinado item, contribuem as despesas com funcionários, transporte... Em alguns casos, a embalagem chega a custar mais do que o produto em si. Não se pode dizer que uma mercadoria vai ficar muito mais cara apenas devido à escalada do dólar."

Constituem exceção, logicamente, os itens manufaturados em outros países --azeites, vinhos e chocolates, por exemplo.

Demora um pouco para os reflexos aparecerem nas gôndolas. "Temos observado uma oscilação bastante forte no dólar. No entanto, somente se a moeda ficar em um nível mais alto por pelo menos um mês será possível perceber consequências nos alimentos", explica André Braz, economista da FGV (Fundação Getulio Vargas) responsável pelos cômputos dos seus índices de inflação. Cumprida tal condição, os efeitos surgiriam a partir de novembro, em pequenas doses, diluindo-se ao longo de seis meses.

É preciso considerar, adicionalmente, que a economia brasileira vem se desacelerando, o que dificulta o repasse do aumento dos comerciantes para o seu cliente. "Ainda é cedo para tirar conclusões, inclusive porque não sabemos em qual ponto a moeda americana vai se estabilizar", frisa Braz.

O governo está preocupado com o avanço dos preços porque os índices de inflação já estão acima da meta estabelecida, de entre 2,5% e 6,5% no ano.  

Para o consumidor, a orientação é pesquisar mais os preços das mercadorias que costuma adquirir, considerar mudar de supermercado se notar reajustes excessivos, ou trocar a marca dos produtos que entram no seu carrinho.

Uma conseqüência mais importante poderá ser notada especialmente nos alugueis, cujos reajustes costumam ter como baliza o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela FGV. Esse indicador contempla produtos que são mais afetados pela alta do dólar, minérios em estado bruto e matérias-primas industriais.

"A porcentagem usada para o acerto dos contratos é a acumulada em doze meses. Então, o tamanho do aumento será influenciado por outros fatores de médio prazo", pondera Braz.

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Escrito por Denyse Godoy às 13h25

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Não, dólar não é investimento

A elevação de cerca de 19% do dólar comercial em menos de um mês tem despertado em muitos investidores a vontade de aplicar recursos na moeda americana para tentar lucrar com a alta.

Certamente, lembram-se das décadas de 1980 e 1990, quando esse era um expediente bastante comum.

Para viagens a outros países, havia um limite de gastos que, em valores de hoje, estaria perto de US$ 100 ao dia, ou US$ 1.000 no total. Formou-se um mercado informal, o black (paralelo), que vendia moeda a um preço 30% superior ao oficial e atendia quem precisava de mais recursos.

"Na época, a nossa moeda sempre perdia valor ante o dólar, jamais ganhava. O câmbio era fixo e controlado, e todos os dias o Banco Central divulgava a taxa de conversão, um pouquinho maior do que a da véspera. Conseguíamos até prever, para o cliente, qual seria o seu ganho em um mês", lembra Miriam Tavares, diretora da corretora AGK.

Porém, mesmo naquele tempo, esse podia ser um mau negócio.

Os operadores de câmbio colecionam histórias engraçadas de prejuízos com o investimento em dólar no passado.

Contam do presidente de um grande banco estrangeiro que guardava uma pequena fortuna em uma caixa de metal enterrada no quintal de sua casa. Ao resgatar o seu "tesouro", percebeu que as notas estavam bastante degradadas, quase esfarinhando. Então, reuniu sua equipe de funcionários diretos, e ordenou que limpassem cédula por cédula com um paninho e juntassem os cacos, para posteriormente trocá-las em Nova York.

Relatam, também, a história de uma senhora que grudou um saco plástico com todas as suas economias, em dólares, no fundo da gaveta de uma cômoda. Mas, depois, ao vender o móvel, esqueceu que deixara o dinheiro lá.

Atualmente, o mercado paralelo só serve para os que desejam trazer do exterior recursos que não conseguem justificar.

E existem ferramentas mais práticas para aplicar em dólar, como os fundos de investimento cambiais. Entretanto, somente se recomenda que compre a moeda americana, qualquer que seja a maneira, quem está programando viagem para o exterior ou tem algum compromisso a saldar fora do país e precisa se proteger das fortes oscilações das cotações.

"É difícil dizer se o dólar vai subir mais ou cair mais e quanto. No entanto, está bem claro que essa disparada não se justifica pelos fundamentos da economia brasileira no momento", frisa Tavares. A maior parte dos analistas espera que as cotações terminem o ano em R$ 1,65.

Além disso, os juros praticados no país continuam bem altos, proporcionando boa rentabilidade para os investidores em renda fixa, que oferece um risco muito menor do que as moedas.

Acostumado, em períodos de incerteza, a ser indagado pelos seus clientes sobre a ideia de aplicar em dólar, Luiz Antonio Abdo, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, diz que a elevação rápida demais ilude: "É sempre assim. A moeda, para cair, vai de degrauzinho em degrauzinho; para subir, pega um elevador. No longo prazo, o que verificamos é que o dólar perdeu muito ante o real".

Outro fator a considerar, acrescenta, é a diferença entre os valores para compra e venda aos quais o pequeno investidor tem acesso. "Na hora de aplicar, ele pega o valor de venda adotado pela instituição financeira [hoje, R$ 1,91]. Para recomprar, a cotação vigente é sempre muito menor [R$ 1,77 nesta quinta-feira]. Então, o eventual ganho teria que ser superior inclusive a esse spread e ao que se consegue na caderneta de poupança ou em um fundo de renda fixa”, comenta Abdo.

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Escrito por Denyse Godoy às 17h41

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Intercâmbio, passagens aéreas, 2012: as dúvidas dos leitores sobre a alta do dólar

Respondendo as perguntas que os leitores desta coluna fizeram a respeito da matéria "Dólar a R$ 1,80, e agora?": 

Nathalia: Olá, Denyse! Preciso adquirir passagem aérea para julho de 2012, alta temporada, para Orlando (EUA). Minha dúvida é: compro agora com as passagens a menores preços e dólar alto ou espero a cotação do dólar diminuir, arriscando a alta das passagens? Obrigada.

Boa questão.

"É muito difícil prever o comportamento da moeda norte-americana; porém, pela gravidade e extensão da crise, espera-se que suba um pouco ainda. Considerando que quanto antes se reserva o bilhete, menor o seu preço, é mais vantajoso fechar o negócio agora, mesmo que as cotações do dólar recuem daqui a alguns meses", diz Bob Rossato, sócio da agência de viagens on-line ViajaNet.

Pode-se parcelar o valor da passagem em várias vezes, fixas em reais --de acordo com as regras de cada companhia.

Matheus: Boa tarde, Denyse! Eu faço MBA em Economia, mas mesmo assim estou com umas dúvidas. Vou para a Irlanda no início de janeiro de 2012, e preciso ter no mínimo 3.000 euros para entrar no país. Ainda não comprei nem um euro, e a cotação moeda está disparando. Quando eu devo começar a comprar? De que maneira devo proceder? Agradeceria muito a sua opinião.

Como você já sabe o montante exato de que vai precisar, dê início à operação para construir a sua reserva assim que puder. Divida o montante em algumas parcelas pelos próximos meses --uma ou duas por mês daqui até janeiro de 2012. Assim, não vai pegar nem o pico nem o piso do dólar no período, mas conseguirá obter ao final uma cotação média aceitável.

Wilson Pardini: Denyse, boa tarde! Pretendo ir para a Europa no final de julho [de 2012]. A recomendação nesse caso é também para ir comprando euros aos poucos a partir de janeiro? Obrigado.

Exatamente! Se tiver condições, pode antecipar o começo das compras, de maneira que a poupança tenha impacto mais suave no seu orçamento.

Iêda: E quem vai fazer intercâmbio, qual a melhor forma de usar o dinheiro no país de destino? Solicitar um cartão de débito em casa de câmbio antes de viajar?

Daniela: Vou viajar para Londres em fevereiro e passarei seis meses lá. Não terei visto para trabalhar; logo, terei de ter o dinheiro de antemão à disposição. Como funciona nesse caso? Não é possível levar dinheiro em espécie para seis meses, certo? É possível abrir uma conta internacional, em que eu possa realizar saques periódicos em Londres?

Segundo Sergio Drabavicius, gerente de treinamento da agência de intercâmbio Information Planet, o cartão de débito pré-pago é a opção preferida por quem vai estudar no exterior, pela sua praticidade. "O plástico permite novos carregamentos periódicos, conforme a necessidade. Os pais do estudante podem mandar dinheiro por essa via no momento em que quiser. Se o próprio aluno desejar colocar dinheiro, basta solicitar à agência no seu país de origem, a qual emitirá um boleto a ser pago pela internet a partir da conta bancária brasileira", explica o executivo. A cada aporte, cobra-se 0,38% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Nos saques no exterior, as taxas variam entres os emissores, mas na média ficam em US$ 2,50; não costuma haver tarifas nas compras efetuadas na modalidade débito. É bom contabilizar, ainda, que, para operações em moeda diferente daquela na qual o cartão foi carregado, faz-se a conversão pelas cotações do momento.

Outras alternativas são o cartão de crédito internacional, que cobra taxa de 6,38% nas operações realizadas fora do país, ou continuar movimentando a conta bancária brasileira.

Na segunda situação, deve-se conferir antes todas as taxas vigentes (para uso do cartão de débito e transferências) e comunicar a instituição financeira sobre a viagem, a fim de garantir que o plástico e as senhas do internet banking estejam devidamente desbloqueadas.

Recomenda-se, ainda, deixar uma procuração para um parente ou amigo de confiança movimentar a conta no Brasil –em situação de emergência, há problemas que não dá para resolver à distância.

Quem vai trabalhar na localidade de destino terá que abrir uma conta no exterior, e consegue receber dinheiro de fora por ela. Mais uma vez, no entanto, é fundamental ficar atento às tarifas aplicáveis.

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Escrito por Denyse Godoy às 19h56

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Dólar a R$ 1,80, e agora?

Registrando alta de mais de 14% em setembro, o dólar comercial ultrapassou, nesta quarta-feira, o valor de R$ 1,80. É o seu maior patamar desde meados de 2010.

Confira as respostas dos especialistas para as principais dúvidas de quem vai viajar ao exterior (ou acaba de voltar de um passeio a outro país) e orientações para administrar melhor os gastos em moeda estrangeira:

Diz-se, nas notícias, que o dólar está perto de R$ 1,80, mas, ao buscar a moeda nas corretoras e nos bancos, informam-me preços em torno de R$ 1,90. Por que existe tamanha diferença?

Como referência para a cotação da moeda americana, considera-se o preço do chamado dólar comercial, que no entanto só é aplicado em transações de empresas (importadoras, exportadoras, multinacionais etc).
Para o viajante, vale o dólar turismo, que segue a tendência (elevação ou queda) do comercial, porém sempre sai mais caro. Esse é o valor empregado também no carregamento de cartões pré-pagos e na cobrança, pelas administradoras de cartão de crédito, das compras realizadas fora.
Dica: As cotações são estabelecidas livremente pelas instituições financeiras e seguem as regras de mercado. Então, pechinchar (ameaçando comprar as divisas em outro estabelecimento que está dando desconto) costuma funcionar bastante. Pesquise muito os preços --é cômodo comprar direto com o gerente do banco no qual se tem conta, claro, porém outra instituição pode oferecer valores melhores. 

O dólar vai voltar a cair ou deve subir mais?

É impossível prever, porque, como todo evento econômico, depende em última instância do comportamento humano. No presente caso, das decisões dos líderes mundiais a respeito da crise global, a qual se teme que piore.
Mas os empresários e as instituições financeiras no Brasil estimam que as cotações terminarão o ano mais próximas de R$ 1,65. Até lá, segundo as projeções dos analistas, dificilmente retornariam ao nível de R$ 1,50 verificado no final de julho; as chances de atingirem R$ 2 são, igualmente, menores.

Então, como deve agir quem pretende viajar?

Da maneira usualmente recomendada: ir comprando divisas aos pouquinhos. “Por exemplo, se a viagem está programada para dezembro, o turista pode adquirir a cada mês um terço dos valores que deseja juntar no total”, ensina Alexandre Milanov, gerente de câmbio turismo da corretora TOV. Assim, obtém-se, ao final, um valor médio razoável.
É bom que o viajante acompanhe as notícias sobre a crise para não ser pego de surpresa; entretanto, ficar o tempo todo preocupado com esse tema, tentando descobrir o momento exato de queda das cotações, não vale a pena, por causa do estresse --nem os grandes experts do mercado financeiro conseguem acertar com precisão. Deixar para a última hora, na expectativa de conseguir peço melhor, também não é indicado: além da possibilidade de pegar o pico dos valores, na correria não dá para pensar e pesquisar direito.

E se a minha viagem está marcada para as próximas quatro semanas, o que fazer?

O mesmo, dividindo as compras no período. "Veremos muitas oscilações da moeda americana ao sabor do desenrolar da crise, mas no curto prazo a cotação deve permanecer elevada", afirma Mauro Araújo, diretor da corretora Vision.  

Vou para a Europa ou para a Argentina. A tendência é de alta também para as divisas desses lugares?

Sim. O real está perdendo valor ante essas moedas. Aí as recomendações são iguais às dadas para quem precisa comprar dólar.

Acabo de voltar de viagem do exterior, e fiz muitas despesas no cartão de crédito. Existe alguma maneira de minimizar o prejuízo com a elevação do dólar?

A cotação do dólar usada na conversão desses gastos é a do dia do fechamento da fatura. Portanto, pode ser que até esse momento os valores recuem um pouco. Ocorre, ainda, um ajuste posterior considerando o preço da moeda na data do efetivo pagamento da conta –ou seja, na fatura seguinte incluem-se os estornos ou os acréscimos referentes à variação das cotações entre a data da emissão e a da quitação.
Não compensa pagar só o mínimo da conta, esperando que depois o dólar abaixe, porque os juros de refinanciamento do cartão oscilam entre 10% e 13%, fora outras tarifas. É adiar o problema, com chances de piorá-lo.

Quem ainda vai viajar deve preferir comprar moeda em espécie, usar cartão pré-pago ou cartão de crédito no exterior?

Muitas vezes, o viajante adquire antes apenas os montantes correspondentes a uma parte pequena das despesas previstas e deixa para comprar mais no cartão de crédito, durante o passeio, e pagar no retorno. Porém, em tempos de tanta incerteza, uma ideia interessante para o turista é, no seu planejamento, distribuir mais equanimemente entre a cotação atual da moeda (espécie e pré-pago) e a futura (cartão de crédito) os gastos que pretende fazer. É preciso ficar atento às tarifas: na primeira situação, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é de 0,38%; na segunda, de 6,38%.

Leia as respostas para as perguntas que os leitores deixaram na área de comentários! Sorriso

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Escrito por Denyse Godoy às 12h04

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Brasileiro gasta 70% mais com cheque do que com cartão de crédito

Enquanto as transações com cartão de crédito somaram R$ 301,8 bilhões no Brasil no primeiro semestre deste ano, o valor total das operações com cheque atingiu R$ 511,6 bilhões no mesmo período (70% a mais), segundo levantamento realizado pela Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) a partir da base de dados do Banco Central.

Esse número surpreende porque, como o senso comum poderia supor, o número de negociações com o cartão é de fato bastante superior ao volume de cheques compensados: 3,8 bilhões contra 508,8 milhões (incluindo os papeis administrativos) --7,5 vezes maior, portanto.

O valor médio dos cheques fica, então, em R$ 1.005,53, e o de cada negócio com o dinheiro de plástico, em R$ 78,81.

“O cheque é o preferido nas compras de montantes elevados –como na aquisição de automóveis-- porque, nesses casos, as taxas cobradas pelas administradoras de cartão acabam pesando demais para o comerciante”, explica Altamiro Carvalho, economista da Fecomercio. “Além disso, às vezes o produto simplesmente não cabe no limite que o consumidor tem no seu cartão.”

Outro motivo para a grande emissão de cheques é a possibilidade de pré-datar os documentos, uma instituição nacional.

De acordo com as estatísticas da OK Garante, empresa que fornece a varejistas sistemas para verificar o risco de aceitar determinado cheque, 74,5% dos papeis emitidos atualmente exibe data futura, ou seja, é utilizado para parcelamento de compras.

Os estabelecimentos que mais adotam tal expediente são os de material de construção, os de roupas e os supermercados. O valor médio dos documentos dados no comércio é de R$ 350.

Nos últimos anos, o cheque vem recuperando a credibilidade tanto entre os empresários –os quais, com o aprimoramento dos sistemas de informação financeira, conseguem ter mais segurança para receber os papeis-- quanto entre os consumidores.

“Se porventura houver alguma discordância no que diz respeito a produto ou serviço adquirido com um cheque, basta ao cliente sustá-lo. Obter o dinheiro de volta quando se paga com cartão não é tão fácil assim”, diz Antonio Afonso, executivo da OK Garante. “O consumidor possui mais controle e flexibilidade no uso: todo dia é um bom dia para emiti-lo; com o cartão, é preciso esperar o fechamento da fatura a fim de obter melhor prazo de pagamento.”

A taxa de inadimplência dos cheques ficou em 1,94% de janeiro a julho em todo o país, pelas pesquisas da Serasa Experian.

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Escrito por Denyse Godoy às 18h47

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denysegodoy Elaborado pela jornalista Denyse Godoy, o blog trata da economia da vida real.


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