Ganhar, gastar, guardar

por Denyse Godoy

 

RESENHA: Livro ensina quem investe na Bolsa a entender as empresas

A chamada análise técnica é muito mais pop. Vende mais manuais, atrai mais espectadores para cursos.

"Porque parece fácil e rápido simplesmente olhar para um gráfico e ganhar dinheiro na Bolsa de Valores", diz o consultor financeiro e professor José Kobori. "Tem grande apelo para os jovens, que acabam se empolgando. Depois que se machucam e perdem dinheiro é que os investidores buscam compreender melhor os fundamentos das empresas para montar uma carteira de longo prazo."

No seu livro "Análise Fundamentalista", recém-lançado pela editora Campus Elsevier na coleção Expo Money, Kobori defende que a estratégia de se aprofundar nas características e nos planos das companhias abertas é a que melhor consegue corresponder aos desejos de segurança (relativa) e bons rendimentos de quem pretende colocar as suas reservas em ações. "A ideia é efetivamente construir um patrimônio com os papeis", explica.                     

A obra atende tanto quem está partindo do zero quanto os mais experientes, com dicas para facilitar o cálculo dos indicadores de rentabilidade dos papeis. 

Começa abordando o atual ambiente de negócios do Brasil, os principais pilares da política macroeconômica, e explica os conceitos de retorno e das ferramentas para avaliar o potencial de lucro das empresas.

O capítulo que trata das demonstrações financeiras corporativas –que o investidor precisa dominar para conseguir prever com acuidade as suas perspectivas de ganhos-- talvez demande estudos extras, pela complexidade do tema e quantidade de informações.      

Nas partes finais, guia o leitor pela parte prática das avaliações, com abundância de exemplos –um dos seus pontos fortes.

"Quando vai comprar uma casa ou um carro, o consumidor pesquisa exaustivamente até fechar negócio. O investidor, entretanto, adquire uma ação porque alguém indicou, ou porque tal empresa entrou na moda, não pensa muito. O lucro só vem para os que apreendem direito o valor das companhias e a partir daí fazem suas escolhas", frisa Kobori.

ANÁLISE FUNDAMENTALISTA - Como obter uma performance superior e consistente no mercado de ações
AUTOR: José Kobori
EDITORA: Campus/Elsevier
QUANTO: R$ 45
AVALIAÇÃO: Ótimo



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Escrito por Denyse Godoy às 22h53

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Pequenos investidores podem ter acesso aos produtos da parceria entre as Bolsas dos Brics

Quando pedir o registro dos novos produtos financeiros que passarão a ser vendidos no mercado local com a parceria entre as Bolsas dos países emergentes conhecidos como Brics, anunciada hoje, a BM&FBovespa não fará nenhuma ressalva à sua negociação por pequenos investidores.

"Mas a palavra final será dada pelo órgão regulador", explicou o presidente da Bolsa brasileira, Edemir Pinto, em entrevista coletiva à imprensa por telefone a partir da capital sul-africana Johannesburgo, onde o acordo foi fechado. "Eu não gostaria que houvesse restrições. No entanto, no passado, os ETFs [fundos de índice], por exemplo, tiveram determinadas limitações. A liberação foi gradual." A organização e a fiscalização do mercado acionário no país ficam sob responsabilidade da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). 

Dependendo do andamento das formalidades em todas as nações participantes --além do Brasil, Rússia, Índia, China (por meio de Hong Kong) e África do Sul--, as transações começam entre janeiro e junho de 2012.

A princípio, serão oferecidos produtos que têm por base os mais importantes índices dessas Bolsas --qualquer instrumento financeiro derivado de outro recebe o nome de derivativo. No caso brasileiro, o índice é o Ibovespa, o qual reúne atualmente as 68 ações mais negociadas do mercado, de 63 companhias.

Os derivativos do Ibovespa envolvidos no acordo são os contratos futuros --que expressam a pontuação do índice em data adiante-- e as opções –direitos de compra e venda por valores determinados-- relacionadas a tais contratos.

Assim, suponhamos, um investidor brasileiro que acredite na alta do mercado acionário indiano daqui a alguns meses pode adquirir contratos do índice da Bolsa de Mumbai e lucrar se a elevação se concretizar. Um investidor indiano que deseje aplicar no índice brasileiro procederá da mesma forma.  

Em uma segunda fase, mais ferramentas que misturem os índices serão desenvolvidas.

Segundo Pinto, "a estrada está livre" para outras ideias, como a listagem das empresas desses países nas Bolsas dos outros membros do grupo.

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Escrito por Denyse Godoy às 14h35

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Três coisas e meia que o questionário de perfil do investidor não diz sobre você

Desde janeiro de 2010, os brasileiros interessados em realizar uma aplicação financeira são submetidos, pelo banco ou pela corretora de valores, a um questionário de análise do seu perfil como investidor.

O formulário, uma iniciativa das próprias instituições, tem como intenção entender quanto risco o cliente está disposto a correr nas operações.

Composto por cerca de dez perguntas, trata do contato prévio do potencial investidor com esse tipo de transação, do montante que pretende depositar e dos seus objetivos para esses recursos. Ao final, classifica-o como conservador, moderado ou agressivo, de acordo com o seu grau de arrojo na administração dos seus recursos.

"Tanto os novatos quanto os mais experientes resistem um pouco a princípio, acham que o teste representa demasiada ingerência na sua vida. Porém, depois que lhes é explicado o propósito das questões, entendem o valor dessa avaliação, respondem direitinho e se sentem mais seguros", afirma Mariana Borges, diretora da área de varejo do "home broker" (sistema de compra e venda de ações pela internet) da corretora WinTrade.

Tendo essas informações por base, as instituições lhes oferecem as ferramentas mais adequadas às suas características individuais e alertam-nos em caso de negócios estranhos ao seu perfil. (Protegendo-se de reclamações posteriores, é claro.)

No entanto, na opinião de especialistas, as perguntas devem funcionar apenas como um ponto de partida para o essencial autoexame que o cliente deve fazer antes de se aventurar no mercado financeiro, seja na Bolsa de Valores ou em um fundo mais simples.

Afinal, existem algumas facetas importantes do investidor que o questionário não contempla:

1 – Perfil de risco é diferente de personalidade

Um cliente ousado nas suas escolhas profissionais e nos seus relacionamentos, que goste de esportes radicais e de sentir frio na barriga, pode ser um investidor cauteloso, e vice-versa, diversamente do que o senso comum supõe. As decisões de aplicação dependem, ainda, do momento de vida de cada um e das suas metas financeiras --com o passar dos anos, a cautela se impõe.

2 – Correr risco é diferente de suportar perdas

Ninguém, nem o mais ambicioso trader, tolera prejuízos. "Essa é uma característica comum a todos os perfis", explica Vera Rita de Mello Ferreira, professora de psicologia econômica da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) e autora do livro "A Cabeça do Investidor" (Editora Évora).

Quem aceita o risco na verdade só o faz porque, na realidade, não se dá conta de que está aceitando. "No fundo, o investidor ambicioso não acredita que o seu negócio pode dar errado. É exageradamente otimista e confiante", comenta Ferreira.

E, na iminência de uma catástrofe, todos passam a correr mais riscos do que suportariam em uma situação normal. "O que faz um jogador que acabou de ver todos os seus recursos engolidos pela roleta de um cassino? Dobra aposta, na esperança de recuperar o dinheiro", continua a estudiosa. "Exatamente a mesma atitude que a maioria dos investidores adota ao ver suas aplicações na Bolsa ruírem: agarra-se aos papeis, achando que voltarão a subir, até chegarem ao fundo do poço. É humano."

3 – O perigo que se corre precisa ser proporcional ao tempo dedicado aos investimentos

"Eis uma variável muito relevante na definição do perfil de risco. Os clientes que se dedicam às transações, que separam uma parte do seu dia para estudar e aprender sobre o mercado, são os que naturalmente ficam mais à vontade para arriscar", constata Borges. Ou seja, de nada adianta ter um perfil ambicioso sem tempo para planejar as estratégias; na prática, esse investidor será conservador.   

½ – Mais do que de um portfolio, o investidor necessita de um projeto para sua vida

O questionário ajuda bastante a desenhar uma carteira de aplicações. No entanto, não menciona a organização do orçamento da família, suas receitas e despesas, da qual os investimentos são apenas uma parte. "Já vi quem tirasse dinheiro do cheque especial para participar de um lançamento de ações", conta Rodrigo Puga, responsável pelo investBolsa, "home broker" da corretora Spinelli. Esse tipo de equívoco mostra que o investidor ainda tem que arrumar as suas finanças antes de pensar em como multiplicar o dinheiro (que sobra, atenção).

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Escrito por Denyse Godoy às 07h51

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A mágica da Apple: para além das funcionalidades, um estilo de vida

É a lição número um de cada livro, de cada curso básico de marketing. Uma marca será tão bem-sucedida quanto conseguir agregar valores emocionais à utilidade dos seus produtos.

No mundo da informática, no entanto, tal lei foi ignorada até Steve Jobs transformar os computadores em objetos de desejo –e, ainda hoje, apesar das tentativas de mimetizar a Apple, os concorrentes não têm muito sucesso em diferenciar seus dispositivos de commodities, mesmo oferecendo qualidade e usos similares.

Quem compra um iMac, um iPod, um iPad ou um iPhone agora, além de apreciar a beleza e a praticidade dos aparelhos, está interessado em se apropriar do estilo de vida moderno, pop, antenado e elegante que a companhia fundou ao criar aparelhos tão revolucionários.

Por esse motivo, os consumidores se dispõem a pagar mais por um tablet ou um telefone celular que exiba o símbolo da maçãzinha. A discrepância, no Brasil, pode ultrapassar 100%. (É menor em mercados maduros como os Estados Unidos e a Europa, porém.)

"A Apple conquistou esse feito trabalhando sempre com uma linha pequena de itens, em comparação com as outras companhias. Dessa maneira, podia destinar mais recursos à propaganda de cada um", afirma David Yoffie, professor de competitividade corporativa da Harvard Business School. "Outro passo importantíssimo foi a abertura de lojas próprias, onde a empresa ficava livre para ajeitar cada detalhe de acordo com essa imagem cool."

"Houve também a sacada de nomear os produtos de forma lógica, simples, direta e marcante, com o "i" distintivo no começo", acrescenta Ira Kalb, professor de marketing da Universidade do Sul da Califórnia. "E, para provar o quanto os seus competidores ainda são ruins em estratégia de marca, basta notar que continuam chamando suas máquinas com letras e números sem sentido para o consumidor."

Icônicos, freqüentemente os apetrechos idealizados por Jobs são encarados também como um acessório de moda, o que motiva críticas de alguns especialistas.

"Sou pesquisador, então obviamente defendo a inovação constante. Mas também acredito na sustentabilidade do consumo de tecnologia. As máquinas não devem ser tomadas como descartáveis", pondera Silvio Meira, professor de engenharia de software da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e cientista chefe do C.E.S.A.R. (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife).  

Para se manter atualizado com as novidades sem desperdício (e sem ir à falência), confira quatro dicas do economista e applemaníaco Luiz Calado que servem para aparelhos de todos os tipos e marcas:

1 – Não se preocupe em possuir sempre o último modelo
"Na semana passada, conhecemos o iPhone 4S, e praticamente a cada seis meses sai uma nova versão das máquinas. O consumidor deve sempre comparar o grau de defasagem do seu apetrecho com o novo e analisar quão importante é, para a sua experiência, aquele upgrade, independentemente de se tratar de um Apple ou de outra marca", ensina o aficionado. 

No ritmo vigente das releituras, um usuário médio consegue esperar de dois a três anos para adquirir outro aparelho, mesmo que a cada remodelação o desempenho da família seja melhorado bastante. O tempo correto a esperar é aquele durante o qual a máquina continua útil aos seus propósitos. 

2 – Se quer trocar o seu dispositivo agora, espere até o Natal
Neste momento, a maior parte dos fabricantes está segurando os lançamentos para alardear surpresas no final do ano. Aí, como precisam manter a sua faixa de preço, abaixam os valores dos modelos anteriores.

3 – Selecione a versão mais adequada ao seu nível de usuário
Geralmente, o topo da linha é mais indicado para quem faz uma utilização quase profissional do aparelho. "Quando existe a intenção de ficar muito tempo com a máquina, muitos consumidores simplesmente adquirem a mais poderosa. Porém, essa tática significa um gasto desnecessário caso a memória maior ou a velocidade do processador não sejam devidamente aproveitadas. O meio termo é o segredo", diz Calado.

4 – Fique com o apetrecho que oferece mais ferramentas
Não é necessário "colecionar" maquininhas: escolhendo uma que reúna diversas funções, pode-se usufruir ao máximo da arte tecnológica.

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Escrito por Denyse Godoy às 00h13

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denysegodoy Elaborado pela jornalista Denyse Godoy, o blog trata da economia da vida real.


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